sexta-feira, novembro 14, 2008

Coisas de família

Minha mãe foi a primeira dos quatro filhos a casar. Quando chegou a vez da minha tia, já haviam se passado mais de 15 anos do casamento dos meus pais.

Nossa família é bem grande. Não o núcleo (agora somos 8 primos), mas aquela parentada toda que chamamos de tios (mas que são primos dos nossos pais) e de primos de 2º Grau (e que na verdade nem herdariam nada da gente de tão longe que estão na árvore genealógica; nem o direito os considera parentes).

Como todo casamento que se preze, foi um acontecimento. Convites enviados pelo Correio para todo lugar do Brasil. Até Rondônia recebeu um. Alguns convidados foram chegando com dias de antendência, como se preza uma família que adora ficar amontoada e particiar de tudo. Mas isso é a família da minha avó.

A família do meu avô (que é tão grande quanto), é mais dispersa. Só se encontra em casamentos e velórios. Moram quase todos na capital. E de lá que vieram a irmã do meu avô, marido, filhos e genro para o casamento. Chegaram em cima da hora, já de noite e sem o convite nas mãos.

Meu tio não se fez de rogado e afirmou que sabia exatamente onde era o casório. Afinal a cidade não era tão grande assim. E partiram para a Igreja. Quando chegaram a cerimônia já tinha começado. Igreja lotada. Tiveram que ficar no fim de tudo, em pé.

A tia não se conformava. Tinha perdido a entrada da noiva (acho que naquela época o cortejo se limitava à noiva e daminhas) e não estava conseguindo ver direito. Além disso, estava achando tudo muito estranho. Só tinha gente "esquisita" naquela Igreja.

O tio mandava ela parar de resmungar. Como é que ela queria conhecer os convidados se ela tinha vindo de outra cidade? "Concentra no altar!". Ela resolveu obedecer. E achou mais esquisito ainda. A cunhada (minha avó), sempre tão elegante, estava parecendo um repolho naquele vestido verde bufante. Não podia ser! Onde foi parar tanta classe. Ela só poderia ter ficado doida.

Quase 40 minutos de reclamação depois, a cerimônia chega ao fim. E vem o cortejo de despedida. E tudo se confirmou: eles estavam no casamento errado! A igreja era a mesma da minha mãe, mas não era a do casamento da minha tia! E lá foram eles correndo em busca das outras Igrejas.

Numa época onde celular não exisitia, acabaram por chegar na festa, já que não acharam a Igreja certa. Atrasados...

2 comentários:

Cláudia disse...

ah! ótimo isso! eu já entrei na festa de 15 anos errada, mas percebi rapidinho: ou melhor, perceberam por mim, porque a festa onde entrei era um bailão funk e eu tava de longo e salto alto...
bj

Virgínia disse...

Fala a verdadem você abalou a festa quando entrou com o modelito! eheheheheh ;)